Analista de mercado da Cedro Finances fala sobre as tendências da taxa Selic
Brasil Econômico 24.01.12
Texto de Carina Salviano Urbanin
A queda na taxa básica de juros (Selic, hoje em 10,5%ao ano), por si só, tende a favorecer o investimento em renda variável, à medida em que diminui a atratividade de retornos da renda fixa. Mas o afrouxamento monetário leva também a outros movimentos econômicos, como a queda nos custos dos financiamentos e ao aquecimento do consumo,já que os juros estão menores — o que acaba por favorecer ações de empresas atreladas
ao mercado interno.
“Para aproveitar este cenário, as apostas são os papéis de empresas ligadas ao consumo,construção civil e bancos”, diz o estrategista da Ágora Corretora, José Francisco Cataldo, citando empresas como Alpargatas e Cyrela. Segundo ele, os setores favorecidos devem ser os que dependem do crédito e não da renda. “Juro baixo é um estímulo para a compra de eletrodomésticos, imóveis,ou seja, compras que dependamda tomada de crédito, já que o custo do dinheiro ficamenor”, reitera Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora.
O analista técnico da Cedro Finances,Mário Saldanha, estima que a alta destes papéis,por conta do ritmo econômico previsto,deve levar pelo menos dois meses. Já o impacto na economia real pode levar até seis meses, projeta Luciana. “O efeito econômico,historicamente, é atrasado. Enquanto que os efeitos nas ações antecipam-se.”
A tendência de incremento nos negócios se soma à desvalorização sofrida no mercado acionário no ano passado. “Neste ano o Ibovespa sobe mais de 9%, mas caiu 18% em 2011. A bolsa está barata”, avalia Cataldo, da Ágora. Para Luciana, asmelhores oportunidades estão no setor de construção. “Há ações defasadas neste setor,enquanto que boa parte das de consumo foram bem em 2011”, compara.
Saldanha prevê ainda o favorecimento dos papéis de maior liquidez, como os do Ibovespa. “Em momentos de juros baixos,os investidores tendem a aumentar o percentual de investimento em bolsa, os primeiros papéis a seremimpactados positivamente são os mais líquidos”, diz. Taxa de juros baixa e seus possíveis impactos sobre a economia do país são fatores positivos,mas não garantem que os papéis vão subir, ressalta ele. “Se a crise lá fora piorar, não terá Selic baixa que segure a alta das ações”, alerta, reforçando o foco no mercado doméstico.
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