Na Revista Financeiro Cedro ensina Educação Financeira

Financeiro a revista do crédito 24.10.11

Edição 71 - Outubro/Novembro

Texto de Flávia Corbó

É comum a crítica de que as crianças e adolescentes de hoje em dia passam tempo demais no computador. Mas será que todas as horas gastas com os olhos fixos na tela são em vão? Entre o amplo universo de informações que podem ser obtidas na rede há alguma que pode colaborar para o crescimento e formação dos pequenos internautas? A empresa Cedro Market & Finances acredita que sim.

Aproveitando o conhecimento adquirido na criação de softwares para o mercado finaceiro, a Cedro – responsável pelo simulador de ações da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&FBovespa) – criou o jogo Goumi. De forma lúdica e divertida, a brincadeira procura ensinar educação financeira para crianças e adolescentes.

“O objetivo é criar uma relação saudável entre criança e os benefícios do dinheiro a partir do lema: poupar, gastar, investir e até doar”, explica o gerente de marketing da Cedro Finances, Samuel Paiva.

Ao criar um personagem, o jogador ganha um terreno 500 mics – a moeda vigente no jogo. Com esse espaço de terra e essa quantia no bolso é preciso gerar lucro para alimentar as necessidades básicas do personagem: alimentação, higiene pessoal e moradia, o que inclui mobiliar a casa e pagar contas de consumo como água e luz.

Inicialmente o jogador deve comprar sementes na casa da agricultura e passar a cultivar em seu terreno para ganhar dinheiro. Mas o Goumi oferece outras inúmeras possibilidades de tornar-se bem-sucedido. “Certa vez, uma jogadora comprou todas as sementes de morango disponíveis à venda. Os demais jogadores riram, mas depois a fruta começou a ser requisitada e como só ela possuía a mercadoria, vendeu pelo preço que queria”, relata Paiva.

Ganhando dinheiro na agricultura, o participante tem oportunidade de expandir seus negócios, comprar itens e acessórios na loja de roupas, fazer trocas de mercadorias entre os jogadores, investir na construção de indústrias e até na Bolsa de Valores. Como o jogo pode ser acessado via Facebook, além do site www.goumi.com.br, há a possibilidade de pedir conselhos e propor parcerias aos demais participantes.

“É possível se relacionar com vizinhos, perguntar como eles prosperaram, pegar dicas. Forma-se uma rede de relacionamento entre os jogadores pela qual eles trocam experiências, criam fóruns e estratégias de crescimento”, analisa Paiva.

Atualmente, o Goumi já tem cinco mil usuários e vem chamando a atenção pela didática. “Temos apresentado o jogo para diversas secretarias municipais de Educação, pois atualmente a educação financeira está muito em voga no Ministério da Educação”, afirma o gerente de marketing (leia mais sobre o tema nesta edição).

Fonte para a academia

Desde abril, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais, está analisando o comportamento dos usuários de Goumi. Os resultados serão utilizados para a sustentação de uma tese de mestrado. “Imagine você tirar uma fotografia desses cinco mil usuários e daqui a cinco anos ter contato com essa mesma base de jogadores, que informações não poderemos ter?”, indaga Paiva.

O executivo vê no Goumi um instrumento vocacional bem simples, pois desperta aptidões que podem se desenvolver no futuro. “Tem crianças que a partir do contato com o jogo começam a se identificar com administração, economia, engenharia. De repente, daqui alguns anos elas vão seguir mesmo essas profissões.”

Já tem criança achando até que entende melhor de finanças do que os adultos

Para os pais que pensam que o jogo pode incentivar os filhos a passarem ainda mais tempo isolados em frente ao computador, o Goumi tem a solução. Os personagens do jogo precisam descansar, então não é benéfico jogar por muito tempo seguido. Além dessa preocupação, o lado social também é abordado. Frequentemente são feitas campanhas sociais, incentivando atos como a doação de sangue e o combate ao mosquito da dengue, por exemplo.

“Já tivemos o relato de uma criança que estava ajudando a mãe a eliminar a água dos vasos de plantas, pois viu que no jogo, quando o personagem fica doente, é preciso comprar remédios, melhorar a alimentação e tudo isso gerava mais gastos”, conta o gerente de marketing da Cedro Market & Finances.

Embora tenha sido criado para o público infantil e adolescente, o jogo faz sucesso entre adultos. “Teve uma associação comercial que disse que as lições aprendidas seriam ótimas para passar para micro e pequenos empresários que desejam entrar no mercado financeiro, mas não sabem gastar e investir”, garante Samuel Paiva.

Inclusive já tem criança achando até que entende melhor de finanças do que os adultos. “Outro dia ouvi de uma jogadora: minha empresa está ganhando muito bem e meu pai vive no vermelho“, relata.

O lado social também é abordado. Frequentemente são feitas campanhas sociais

Desde a época do tabuleiro

Mas o lado lúdico das finanças foi explorado muito antes do surgimento da internet e das redes sociais. O Monopoly – um dos mais populares jogos de tabuleiro do mundo – surgiu na década de 1930, nos Estados Unidos, lançado pela Parker Brothers e, mais recentemente, seus direitos foram parar nas mãos da Hasbro. A versão em português, o Banco Imobiliário, foi trazida para o Brasil pela fabricante de brinquedos Estrela, em 1944, com suas famosas notas coloridas de dinheiro em miniatura e propriedades que tinham nome de ruas ou localidades famosas das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, como Avenida Paulista, Ipanema, Morumbi, Interlagos, Copacabana.

Apesar do sucesso imediato, o jogo nunca parou no tempo e, ao longo dos anos, ganhou novas versões, em sintonia com as necessidades e os desejos dos consumidores e fãs da brincadeira. Atualmente o Super Banco Imobiliário funciona assim: todos os competidores começam com um crédito de 25 mil lastreado na moeda própria do jogo. As compras de imóveis e companhias são debitadas do cartão de crédito, de acordo com as aquisições de cada participante. Quando um jogador tem de pagar ao outro, os dois cartões passam pela máquina. Um para ter o valor debitado e outro para receber os créditos.

As companhias à venda no jogo foram substituídas por empresas de verdade. No Super Banco Imobiliário é possível fazer transações com ações de marcas como Vivo, Itaú, TAM Viagens, Nivea, Ipiranga e Fiat.

Seguindo outra tendência mundial, a Estrela lançou uma versão ecologicamente correta do Banco Imobiliário. As peças do brinquedo são feitas de plástico verde, material à base de cana-de-açúcar e outras matérias-primas 100% renováveis. O tabuleiro, a caixa e as cartas são de papel reciclado. Toda a dinâmica do jogo está ligada à sustentabilidade. No lugar de bairros e ruas importantes, as casas do tabuleiro são reservas naturais como Pantanal, Rio São Francisco, Chapada dos Veadeiros, Serra da Mantiqueira e áreas sucroalcooleiras como Ribeirão Preto, Três Lagoas (MS) e Teotônio Vilela (AL). As companhias de transporte foram substituídas por empresas como Companhia de Reciclagem Energética, Companhia de Reflorestamento, de Agricultura Orgânica e de Reciclagem Mecânica. As cartas de sorte ou revés também estão temáticas. O jogador pode ser punido: “sua empresa foi multada por poluir demais” ou bonifi cado: “você protegeu suas terras do desmatamento e faturou com o turismo ecológico”.

O jogo também oferece formatos mais simplificados que podem ser apreciados por crianças a partir de cinco anos. Os personagens da “Turma da Mônica” foram parar no tabuleiro para ajudar os pequenos a aprender a lidar com dinheiro. E também para fãs específicos. Para os apaixonados por quadrinhos, há a versão com a “Liga da Justiça”. Os imóveis à venda são conectados aos heróis e vilões dos gibis e quem não fizer o melhor negócio logo vai descobrir que o aluguel do “Planeta Diário”, famoso jornal no qual trabalha Clark Kent e Louis Lane, não é nada acessível assim como o da mansão do milionário vilão Lex Luthor.

 


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