Jogos levam a crianças e jovens conceitos de como lidar com seu dinheiro

Diário de Pernambuco 14.02.12

Texto de Hugo Bispo

Jogos são ótimas ferramentas de aprendizagem. Nos jogos online, por exemplo, os jogadores podem, a partir de situações vividas no mundo virtual, aprender conceitos que terão utilidade enorme no mundo real. Sabendo do potencial de aprendizado que a diversão proporciona, muitas empresas e instituições têm se empenhado no desenvolvimento de jogos de educação financeira e empreendedorismo, iniciativas voltadas especialmente para o público infantil e jovem.

Uma iniciativa interessante é o game online Goumi, desenvolvido pela empresa Cedro Finances. A brincadeira é uma espécie de “jogo da vida”. Cada jogador é representado por um avatar (representação gráfica de um personagem) e recebe uma quantia X para começar a jogar. A partir do dinheiro disponível em caixa, o jogador precisa administrar todo seu orçamento doméstico e pessoal. E, além disso, ele tem a opção de investir em indústrias, comércio e até em uma minibolsa de valores.

“O jogo é uma ótima opção para formar na criança uma consciência de educação financeira. Ela aprende a poupar, gastar, investir e doar. As situações do jogo simulam a vida real. A criança não começa com uma empresa, mas com uma casa. Ela além de cuidar da própria casa tem que cuidar da vida profissional. De acordo com as decisões tomadas por cada jogador, alguns viram empregadores e outros empregados”, relata o diretor de marketing da Cedro Finances, Samuel Paiva. Ele aponta como trunfo do jogo o fato da criança ter a chance de aprender com os próprios erros, vendo o resultado de cada decisão. “Isso pode ajudá-las quando passarem por situações parecidas no futuro”, argumenta.

Os educadores também enfatizam o potencial de aprendizagem dos jogos. De acordo com o livro “Jogos Matemáticos com Sucata” (publicação ainda inédita de algumas professoras de matemática do Centro de Educação da UFPE que fala sobre o processo de aprendizagem por meio de jogos), “os jogos favorecem o desenvolvimento da autonomia cognitiva e afetiva, uma vez que as decisões são tomadas na busca de estratégias que conduzam à vitória ou ao enfrentamento do desafio que está posto e não para satisfazer desejos ou demandas externos”.

Outro projeto interessante é o Desafio Sebrae. Voltado para o público universitário, o jogo virtual promovido uma vez por ano simula o dia a dia de uma empresa, dando ao jogador a oportunidade de vivenciar e conhecer as dificuldades de gerir um empreendimento. “É uma excelente oportunidade de desenvolver o espírito empreendedor do jovem. As situações que o jogo simula são bastante próximas das que acontecem no mercado. O jogador aprende a analisar os riscos e avaliar resultados”, alega o gestor estadual do projeto, Roberto Moreira.

Moreira diz também que o jogo é apropriado não só para estudantes de administração, mas para todos que pensam em abrir seu próprio negócio.
“Petshops, por exemplo, são administrados por veterinários. Escritórios de direito, por advogados. Estudantes de todos os cursos têm potencial para serem empresários”.

É o caso da bacharel em direito Ludmila Coutinho. Ela já participou da competição duas vezes, a primeira quando estudava administração, e a segunda quando era estudante de direito. “Participei para saber como funcionava o empreendedorismo. Acho que o jogo ajudou bastante na área pessoal, pude treinar controle racional e trabalho em equipe”, conta a estudante.

Matéria publicada em 13.02.12

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